A 40 dias de começar um dos maiores espetáculos da terra - e no Brasil - nós parecemos anestesiados com tanta desinformação veiculada por esses que querem a baderna em nosso país.
E eu não tô falando das manifestações, que são justas (até o momento que não tiver violência), reivindicando sempre melhorias para nossa população.
To falando dos grupos que patrocinam a campanha anticopa aqui no Brasil, formado pela imprensa vendida e por oportunistas políticos.
A torcida para que as coisas deem errado é pequena, mas é barulhenta e até agora tem sido muito bem sucedida em queimar o filme do evento.
Tiveram, para isso, uma mãozinha de alguns governos, como o do estado do Paraná e da prefeitura de Curitiba, que deram o pior de todos exemplos ao abandonarem seus compromissos com as obras da Arena da Baixada, praticamente comprometida como sede.
Como também no estado de SP, onde o Morumbi ia ser o estádio da Copa e o governador da época José Serra brecou todo o projeto fazendo com que um novo estádio fosse erguido na capital paulista. Veja abaixo a entrevista do ex-presidente do São Paulo:
O Brasil já foi sede de Copa em 1950, já se candidatou em outros momentos como pra Copa de 2006 com o presidente FHC (veja recorte de jornal de 1998 que eu resgatei):
Mas o pior sobre a Copa é a desinformação. É da desinformação que se alimenta o festival de besteiras que são ditas contra a Copa.
E são elas que vou discutir agora (vários trechos retirados do site da Carta Maior,
clique aqui para ver).
Desinformação #1: O dinheiro da Copa vai ser gasto em estádios e em jogos de futebol, e isso não é importante
Não conheço uma única pessoa que fale dos gastos da Copa e saiba dizer quanto isso custará para o Brasil. Ou, pelo menos, quanto custarão só os estádios. Ou que tenha visto uma planilha de gastos da copa.
A “Copa” vai consumir quase 26 bilhões de reais.
A construção de estádios (8 bi) é cerca de 30% desse valor.
Cerca de 70% dos gastos da Copa não são em estádios, mas em infraestrutura, serviços e formação de mão de obra.
Os gastos com mobilidade urbana praticamente empatam com o dos estádios.
O gastos em aeroportos (6,7 bi), somados ao que será investido pela iniciativa privada (2,8 bi até 2014) é maior que o gasto com estádios.
O ministério que teve o maior crescimento do volume de recursos, de 2012 para 2013, não foi o dos Esportes (que cuida da Copa), mas sim a Secretaria da Aviação Civil (que cuida de aeroportos).
Quase 2 bi serão gastos em segurança pública, formação de mão de obra e outros serviços.
Ou seja, o maior gasto da Copa não é em estádios. Quem acha o contrário está desinformado e, provavelmente, desinformando outras pessoas.
A "Transparência" é outro grande legado, não só da Copa, mas do Governo Federal que publica tudo em seu site
http://www.portaltransparencia.gov.br/
A atual planilha de custos está aqui:
"Nunca na história desse país" se investiu tanto em mobilidade urbana e em tão pouco tempo como agora.
Recife, Rio, São Paulo, Fortaleza, Cuiabá implantaram pela primeira vez ou expandiram suas redes de metrô, de BRT, de ônibus. Transporte público!
Se Natal não fez, culpem a prefeitura e o estado! Recurso não faltou. Outras cidades-sedes souberam aproveitar o que Natal não fez.
Viram que eu usei a palavra "aproveitar"? É porque pra Copa do Mundo apenas os estádios eram obras obrigatórias. Claro, futebol se joga nos estádios.
A infraestrutura de mobilidade, segurança, aeroportos, portos e etc foram iniciadas e aproveitadas para se fazer nesse grande plano para a Copa.
Ou alguém em sã consciência acha que em um dia de partida de futebol com estádio lotado com 60mil pessoas vão circular na cidade mais do que Recife em dia do Bacalhau do Batata onde 2 milhões de pessoas curtem o carnaval?
E o que falar do aeroporto e trânsito de Salvador em dia de carnaval? Ou do Rio de Janeiro?
Veja nesse debate sobre "Legado da Copa" patrocinado pelo programa Brasilianas de Luis Nassif que o representante do governo fala exatamente isso: nunca de investiu tanto em mobilidade no Brasil quanto agora na Copa, e que pra Copa mesmo isso não era necessário.
Nenhum desses metrôs, VLTs ou BRTs serão destruídos depois da Copa:
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Mobilidade em Cuiabá |
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Mobilidade em Fortaleza |
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Mobilidade em Recife |
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Mobilidade no Rio de Janeiro |
- Ah, Alexandre, tá tudo muito bonito mas isso não vai ficar 100% pronto para a Copa.
E daí?
E daí se um aeroporto qualquer (não é o caso do de Brasília ou o de Natal) não ficar pronto para a Copa.
A Copa vai durar 20 e poucos dias e vai embora.
Os aeroportos, os portos, os BRTs ficam pra sempre!
Desinformação #2: se deu mais atenção à Copa do que a questões mais importantes
Certamente, os recursos a serem gastos em estádios seriam úteis a outras áreas.
Mas se os problemas do Brasil pudessem ser resolvidos com 8 bi, já teriam sido.
Em 2013, os recursos destinados à educação e à saúde cresceram. Em 2014, vão crescer de novo.
Portanto, o Brasil não irá gastar menos com saúde e educação por causa da Copa.
Ao contrário, vai gastar mais.
Não por causa da Copa, mas independentemente dela.
Se alguém quiser ajudar de verdade a melhorar a saúde e a educação do país, ao invés de protestar contra a Copa, o alvo certo é lutar pela aprovação do Plano Nacional de Educação, pelo cumprimento do piso salarial nacional dos professores, pela fixação de percentuais mais elevados e progressivos de financiamento público para a saúde e pela regulação mais firme sobre os planos de saúde.
Se quiserem lutar contra a corrupção, sugiro protestos em frente às instâncias do Poder Judiciário, que andam deixando prescrever crimes sem o devido julgamento, e rolezinhos diante das sedes do Ministério Público em alguns estados, que andam com as gavetas cheias de processos, sem dar a eles qualquer andamento.
Marchar em frente aos estádios, quebrar orelhões públicos e pichar veículos em concessionárias não tem nada a ver com lutar pela saúde e pela educação.
Desinformação #3: O Brasil não está preparado para sediar o mundial e vai passar vexame
Se o Brasil deu conta da Copa do Mundo em 1950, por que não daria conta agora?
Se realizou a Copa das Confederações no ano passado, por que não daria conta da Copa do Mundo?
Se recebeu muito mais gente na Jornada Mundial da Juventude, em uma só cidade, porque teria dificuldades para receber um evento com menos turistas, e espalhados em mais de uma cidade?
O Brasil não vai dar vexame, quando o assunto for segurança, nem diante da Alemanha, que se viu rendida quando dos atentados terroristas em Munique, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1972; nem diante dos Estados Unidos, que sofreu atentados na Maratona Internacional de Boston, no ano passado.
O Brasil não vai dar vexame diante da Itália, quando o assunto for a maneira como tratamos estrangeiros, sejam eles europeus, americanos ou africanos.
O Brasil não vai dar vexame diante da Inglaterra e da França, quando o assunto for racismo no futebol. Ninguém vai jogar bananas para nenhum jogador, a não ser que haja um Panicopa no meio da torcida.
O Brasil não vai dar vexame diante da Rússia, quando o assunto for respeito à diversidade e combate à homofobia.
O Brasil não vai dar vexame diante de ninguém quando o assunto for manifestações populares, desde que os governadores de cada estado convençam seus comandantes da PM a usarem a inteligência antes do spray de pimenta e a evitar a farra das balas de borracha.
Podem ocorrer problemas? Podem. Certamente ocorrerão. Eles ocorrem todos os dias. Por que na Copa seria diferente? A grande questão não é se haverá problemas. É de que forma nós, brasileiros, iremos lidar com tais problemas.
Desinformação #4: os turistas estrangeiros estão com medo de vir ao Brasil
De tanto medo do Brasil, o turismo para o Brasil cresceu 5,6% em 2013, acima da média mundial. Foi um recorde histórico (a última maior marca havia sido em 2005).
Recebemos mais de 6 milhões de estrangeiros. Em 2014, só a Copa deve trazer meio milhão de pessoas.
De quebra, o Brasil ainda foi colocado em primeiro lugar entre os melhores países para se visitar em 2014, conforme o prestigiado guia turístico Lonely Planet (“Best in Travel 2014”, citado nas referências ao final).
Adivinhe qual uma das principais razões para a sugestão? Pois é, a Copa.
Só existe um antídoto para se enfrentar os profetas do pânico. É combater a desinformação com dados, argumentos e, sobretudo, bom senso, a principal vítima da campanha contra a Copa.
Informação é para ser usada. É para se fazer o enfrentamento do debate. Na escola, no trabalho, na família, na mesa de bar.
O brasileiro é fanático por futebol, por festas, por Copa do Mundo. Sempre foi.
Uma das maneiras de se colocar as coisas no lugar é desmascarar oportunistas que querem usar da pregação anticopa para atingir objetivos que nunca foram o de melhorar o país. Se você caiu nessa ladainha tá na hora de abrir sua mente e acordar.
O pior dessa campanha fúnebre não é a tentativa de se desmoralizar governos, mas a tentativa de desmoralizar o Brasil.
E não são esses que adoram incendiar a opinião pública contra tudo e contra todos, inclusive contra o bom senso, que vai tirar a beleza de uma Copa do Mundo no país do futebol.