terça-feira, 24 de novembro de 2009

Gestão esportiva: Como administrar um clube de futebol - Parte 1

Venho acompanhando a discussão em torno do novo estatuto do ABC. Confesso que não sou muito paciente quando se envolve leis e suas atualizações. É muito chato! Sei que é necessário, mas é chato. Direito, definitivamente, não é o meu forte.
Gosto mais da execução da coisa. E como vivemos em um país presidencialista e, até onde eu sei, a administração do ABC Futebol Clube é essencialmente presidencialista, vou começar a postar aqui no blog artigos sobre Gestão do Futebol Brasileiro, perfeitamente adequados à realidade do Rio Grande do Norte e do ABC.

Histórico da administração dos clubes de futebol

O cenário atual das entidades desportivas profissionais nos países desenvolvidos demonstra que o mercado brasileiro de clubes de futebol, embora com grande potencial, ainda permanece muito distante da realidade da Europa e EUA.
Em parte, este abismo econômico entre os mercados brasileiro e norte-americano / europeu deve-se a diferença do poder aquisitivo da população, que sem dúvida é um dos entraves para que o mercado de consumo de futebol no Brasil se desenvolva. Entretanto a principal questão que hoje dificulta o crescimento dos negócios em clubes de futebol no Brasil reside no fato de as entidades profissionais de futebol não terem se transformado nos principais players da Indústria Esporte no Brasil, fundamentando seus negócios no conceito de consumo de produtos / serviços e entretenimento, ficando ainda restritas a poucas fontes de receitas e em muitos clubes com uma grande dependência da negociação de atestados liberatórios ou de forma mais simplista, da transação de atletas.
Esta é a evolução do modelo de negócio praticado por grandes clubes de futebol na Europa e franquias dos EUA e que deve ser utilizado como balizador para a mudança a ser praticada pelos clubes de futebol no Brasil:



Percebe-se pela linha do tempo acima que as entidades desportivas profissionais buscaram no decorrer dos anos desenvolver seu modelo de negócio, em primeira instância convertendo-se em Unidades de Negócio, na mudança de sua estrutura jurídica e principalmente na adoção de uma gestão corporativa para a seguir tornarem-se verdadeiras Unidades de Consumo e Entretenimento. Atualmente, graças ao avanço das novas tecnologias, as franquias americanas e clubes de futebol da Europa estão se tornando Unidades Geradoras de Conteúdo, fazendo com que seus negócios estejam alinhados com a presente era digital.
Para efeito de comparação, eu situo o atual estado de gerência administrativa do ABC Futebol Clube ainda na década de 70/80, com alguns ensaios de negócios - vislumbrados efetivamente a partir da construção do Frasqueirão, e com pouco ou quase nenhum ponto de Unidade de Consumo (quando falo pouco é porque a marca ABC não é trabalhada ou vendida pelo clube, e sim por empresas associadas ao clube, como a Eureka por exemplo).

A viabilidade econômica de clubes de futebol é fundamental, pois o principal objetivo de qualquer clube é o investimento contínuo no departamento de futebol profissional, que sem dúvida é a maior despesa destas entidades em todo o Mundo. Assim, embora a razão de existir dos clubes de futebol seja montar equipes competitivas, que ganhem títulos, o departamento de marketing torna-se essencial para o sucesso da gestão da entidade, visto que será através da geração de receitas proporcionadas pelas estratégias de marketing que os clubes terão mais recursos para investir em seus projetos esportivos.

Atenta a esse cenário, a Casual Auditores, de São Paulo, realizou um levantamento e propôs um pacote de ações para impulsionar o mercado da maior paixão nacional. O estudo tomou como base os resultados dos 21 clubes mais ricos do Brasil. "Essas instituições precisam desvincular o desempenho esportivo do econômico. Se não mudarem essa postura, criando estratégias de marketing bem estruturadas, chegarão ao final das temporadas esportivas sempre contabilizando altos índices de déficit", afirma Amir Somoggi, diretor da Casual e especialista em marketing e gestão de clubes. Entre as sugestões, Somoggi propõe o fortalecimento das relações entre clube e torcedores, por meio da criação de mecanismos como cartões de fidelidade, desenvolvimento constante de novos produtos, planos de sócios, comercialização de carnês para temporadas e inserção da marca do time em áreas ainda pouco exploradas. Segundo dados levantados pela empresa, juntos, os 21 clubes têm potencial de aumentar o faturamento em pelo menos R$ 900 milhões. Um terço desse valor teria origem no melhor aproveitamento do espaço dos estádios – que vai além das receitas obtidas com os jogos de futebol. Outros R$ 350 milhões viriam de patrocinadores, produtos, royalties, serviços e venda de imagem.

Portanto, chegamos ao fim da primeira parte do estudo sobre Gestão de Clube de Futebol, onde descobrimos que o Marketing é um dos, senão o maior, entrave para o ABC iniciar uma modernização de sua estrutura administrativa.

Um comentário:

Povolouco disse...

Muito bom Alexandre. Tenho um time de Futebol e estou estudando este mercado.

abraços!